Água Clara/MS . 17 de Março de 2026

17/03/2026 as 15h50 / Por ()
Montante pode chegar a quase R$ 100 bilhões com investimentos anunciados em duas fábricas de celulose
Mato Grosso do Sul se tornou o ‘Vale da Celulose’ muito por conta dos investimentos, que somam R$ 48,6 bilhões, nas fábricas implantadas — ou em fase de obras — no Estado, nos últimos anos, conforme dados da Valor Econômico.
No mês passado, a Arauco colocou mais uma lajota neste trajeto rumo a um grande polo industrial em MS, com o lançamento da pedra fundamental da ferrovia, que vai ajudar a escoar a produção da fábrica — 47% concluída — até o porto de Santos (SP).
O investimento do Projeto Sucuriú é de US$ 4,6 bilhões — algo em torno de R$ 24,2 bilhões. Em obras desde o primeiro semestre de 2025, a fábrica deve começar a operar no segundo semestre de 2027. A ferrovia, que terá 45 km da planta industrial até a Malha Norte da Rumo (onde a celulose segue até Santos), tem investimentos de R$ 2,4 bilhões.
O projeto terá 26 locomotivas, 721 vagões e capacidade para transportar até 9,6 mil toneladas por composição. A previsão de conclusão é concomitante à fábrica, que terá capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose por ano.
Já o Projeto Cerrado, da Suzano, concluído em 2024 em Ribas do Rio Pardo, recebeu investimentos de R$ 22 bilhões e resultou na maior fábrica de celulose de eucalipto em linha única do mundo até o momento — com capacidade anual de 2,55 milhões de toneladas.
Com a maior fábrica de celulose do mundo, o ‘Vale da Celulose’ ajudou a elevar o patamar de competitividade dos projetos de toda a América do Sul.
Neste ano, ainda deve ocorrer o anúncio da quinta planta de celulose de Mato Grosso do Sul, pela Bracell. A companhia já conseguiu, em dezembro do ano passado, a licença prévia para a construção de uma unidade em Bataguassu.
A previsão de conclusão do projeto é o segundo semestre de 2028. Entretanto, alguns gargalos podem alterar esse prazo. Segundo a Valor Econômico, a ausência de uma rede de energia para abastecer a fábrica e escoar o excedente de energia gerada é o principal impasse atualmente.
A companhia aguarda o leilão de uma subestação localizada a 155 km da unidade, que deve ocorrer ainda este ano, para obter a autorização para implementação desse linhão.
Com investimento estimado de R$ 16 bilhões, de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental, a unidade terá duas linhas de produção, uma dedicada exclusivamente à celulose para papel (kraft) e outra com flexibilidade para produzir tanto kraft quanto celulose solúvel, usada na fabricação de fibras têxteis, cosméticos e alimentos.
Caso produza apenas kraft, a capacidade anual da planta pode chegar a 2,9 milhões de toneladas anuais; se optar pela flexibilidade de produzir celulose solúvel, a produção será de aproximadamente 2,6 milhões de toneladas.
Contando com este último investimento, o valor injetado pela ‘celulose’ no Estado chega a R$ 64,6 bilhões no Estado.
Outro projeto anunciado para o Estado é o de expansão da Eldorado. Esse é um plano antigo, suspenso pela disputa societária entre o grupo J&F, dos irmãos Batista, e a Paper Excellence. A briga acabou no ano passado, com a aquisição, pelos Batista, da fatia de 49,41% que a Paper detinha na produtora de celulose, ao preço de US$ 2,7 bilhões.
Segundo estimativas iniciais, a segunda linha deve exigir investimentos de US$ 5 bilhões, cerca de R$ 26,5 bilhões na cotação atual. Em meados do ano passado, a empresa renovou a licença ambiental com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e elevou a capacidade do projeto, de 2,3 milhões para 2,6 milhões de toneladas anuais de celulose.
Esses dois investimentos previstos somam R$ 42,5 milhões. Se efetivarem, o total, num período de menos de 10 anos, alcança R$ 91,1 bilhões.
Além das citadas, a chilena CMPC aguarda a aprovação para erger um projeto em Barra do Ribeiro (RS). Já o projeto da Paracel, no Paraguai, tem futuro mais incerto. Entretanto, a perspectiva de crescimento no consumo de celulose, especialmente na Ásia, e novos usos e aplicações da fibra sustentam o avanço de projetos no setor, na avaliação de Rafael Barisauskas, economista para América Latina na Fastmarkets, consultoria de preços especializada em commodities, ouvido pela Valor Econômico.
Os projetos na América do Sul são muito mais competitivos quando comparados à maioria das outras regiões do mundo, especialmente pela ampla oferta de madeira e pelo crescimento mais rápido das florestas de eucalipto — cerca de 7 anos na região, diante de 15 anos no Hemisfério Norte.
“No pior cenário, em que a demanda global cresça abaixo das expectativas, as novas capacidades na América do Sul provavelmente levarão concorrentes de custos mais elevados a sair do mercado”, diz Barisauskas.
Dentre os últimos grandes movimentos de expansão na região, aparece o Projeto Star, da Bracell, entregue em 2022 em Lençóis Paulista (SP), com aporte de R$ 15 bilhões.
Na região Sul, a outra chilena, a CMPC, também deu mais um passo no projeto de sua nova unidade de celulose no país, em Barra do Riberio (RS), ao assinar o contrato de concessão do terreno e construção de um TUP (Terminal de Uso Privado), no Porto de Rio Grande (RS). Foram firmados ainda contratos para a construção de novas embarcações. As iniciativas devem consumir cerca de R$ 3 bilhões do montante total para a construção da unidade.
A conclusão do projeto continua prevista para o segundo semestre de 2029. Com aporte estimado de US$ 4,6 bilhões — R$ 24,2 bilhões ao câmbio atual —, a unidade terá capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de eucalipto.
Em relação à base florestal, o executivo disse que a companhia já possui madeira plantada suficiente para rodar as duas fábricas no país por cinco anos. Além da nova unidade em Barra do Ribeiro, a empresa chilena já opera uma fábrica de celulose no município de Guaíba (RS), com capacidade anual de 2,4 milhões de toneladas de celulose de eucalipto.
Midiamax
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