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Água Clara/MS . 20 de Setembro de 2019
Entrevistas

08/05/2019 as 10h48 / Por (Marie Claire )

Mulher conta que se apaixonou pelo doador após inseminação

Em 2005, a diretora de marketing, Jessica Ann Share, de 43 anos, engravidou da sua filha Alice. Doze anos após ter feito a inseminação, ela conheceu o homem que doou o sêmen, pai biológico de sua filha. Os dois se apaixon ...

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A família reunida (Foto: Acervo pessoal)

“Conheci Melanie na faculdade e logo ficamos juntas. Ela estava estudando redação para criação literária e eu já estava cursando o doutorado. Tinha 23 anos e ela, 21. Morávamos em Iowa City, nos EUA, e frequentávamos a universidade da cidade. Sempre conversávamos sobre formar uma família e, em julho de 2004, nos casamos em Vancouver, no Canadá. No primeiro ano de relacionamento, adorávamos imaginar quais seriam os nomes e como seriam as personalidades dos nossos futuros filhos. Planejamos, então, que eu engravidaria primeiro, por ser mais velha e também porque teria um ano de folga, enquanto escrevia minha tese do doutorado. E, com o sêmen de um doador anônimo, engravidei de Alice.

Alice nasceu em junho de 2005. Perfeita, linda, um bebê incrível! Como engravidei primeiro, havíamos escolhido um doador que se parecesse fisicamente com a Melanie para a criança ser uma combinação de nós duas. Pelas fotos e características, escolhemos um homem moreno, com cabelos ondulados e que era escritor. Fomos ao banco de esperma colher informações sobre nosso primeiro doador e ele ainda estava disponível. Era a vez de Melanie carregar um filho nosso no ventre – e decidimos repetir a fórmula. Soren nasceu 18 meses após, depois de uma gestação tranquila.

As duas meninas se pareciam comigo e com Melanie. Por muitos anos, as pessoas diziam que elas eram ‘mini-nós’. Muitas vezes, tive alguns vislumbres do doador nos traços que as meninas compartilhavam entre si. A mais velha, Alice, era muito calma e nunca chorava. Parece que sabia cada palavra e podia apontar para as coisas, mas nunca falava. Ela era mais tímida e na dela. Já a mais nova, Soren, sofria de refluxo gástrico e gritava aleatoriamente por conta disso. Falou antes de completar um ano. Era muito tagarela, sempre foi espontânea!

Até então, entre mim e Melanie nunca houve essa história de ‘minha filha’ ou ‘filha dela’. As meninas cresceram juntas, sempre unidas e companheiras. Quando Melanie me deixou de forma muito rápida e sem explicação, as meninas tinham 3 e 1 ano de idade. No início, eu ficava com as crianças cinco dias por semana e ela, aos sábados e domingos. Mas a gente se falava, sempre sobre as meninas, todos os dias.

Até que, de uma hora pra outra, quando minha mais velha estava com 10 anos, Melanie resolveu buscar Soren e, para minha surpresa, cortou relações com a Alice e nunca mais permitiu que ela visse a irmã. Assim como toda a sua família, incluindo tios, avós e primos, que abandonou nossa filha mais velha sem jamais dar notícias. Nem a escola da Soren respondia às diversas tentativas de contato. Fiquei arrasada, era a minha filha também! E estava sendo boicotada por todos os lados sem uma explicação sequer.

Até que, pouco depois, Alice começou a se interessar por seus ancestrais. Ela sabia que ela era fruto de um doador de sêmen e, como sempre teve uma conexão muito forte com a cultura afro-americana, me perguntava se era afrodescendente. Então, tive a ideia de fazer um teste de DNA, mas sem nenhuma expectativa de encontrar o doador. Acontece que, no site em que fizemos o exame, existe a opção de ‘ver e ser visto por parentes de DNA’. E, por uma dessas manobras loucas do destino, seu pai biológico havia feito o mesmo teste dois meses antes e imediatamente fomos direcionadas a ele.

Com o resultado em mãos, resolvi enviar uma mensagem para Aaron, o doador, pelo tal site. Escrevi falando que era a mãe de Alice e que estávamos totalmente abertas para conhecê-lo. Já que ele havia optado por ser visto por pessoas com DNAs compatíveis com o dele, achei que ele seria ao menos educado. Mas ele foi muito mais do que só educado. Nos respondeu imediatamente, extremamente gentil e amável, interessado em conhecer a Alice. Contou que se tornou doador de sêmen porque havia uma clínica de banco de espermas perto de sua casa e ele, que trabalhava como taxista, achou que aquele seria um jeito fácil de complementar sua renda. Assim, durante um ano, vendia duas amostras de espermas semanalmente.

Descobrimos também que Aaron havia feito o teste dois meses antes de entrarmos em contato, e encontrado outros dois filhos, Bryce e Madi. Bryce, por sua vez, o informou que ele era pai de mais seis crianças. Com isso, começaram a planejar um grande encontro de ‘pais e filhos’ e resolvemos participar.

No dia, chegamos juntas e os filhos já estavam reunidos. Foi um pouco estranho porque tínhamos visto fotos deles nas redes sociais e falado com Aaron por telefone, mas a maneira como todos interagiram entre si parecia muito familiar. Foi lindo, emocionante. Me senti confortável, diferente e especial diante dele. Na ocasião, eu tinha 41 anos e Alice, 12. Aaron estava solteiro e trabalhava como gerente de comunicação em uma entidade da área de habitação sem fins lucrativos. Era uma instituição que constrói casas para sem-teto e desabrigados, o que me deixou encantada. Ele nunca havia se casado e não tinha outros filhos, além dos nascidos com inseminação.

 

Em seguida, precisei sair da casa alugada onde vivia quando Aaron sugeriu que Alice e eu morássemos no prédio dele, que pertencia à instituição. Sabia que estava interessado em mim porque, antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente, ele já havia feito alguns comentários em tom de brincadeira sobre o fato de uma dia estarmos juntos. E juro que tentei de todas as maneiras não me apaixonar. Não queria estragar a relação que ele estava criando com a nossa filha. Mas logo percebi que ele cara maduro, compreensivo e rapidamente começamos a ficar.

 

Alice já suspeitava que algo estava acontecendo entre a gente, até que nos flagrou aos beijos no telhado do prédio. Foi hilário, morremos de rir! Mas, apesar de adorá-lo, ela ainda não o vê como o pai. É tudo muito recente. Adoro ver como os dois são parecidos. Têm muitas opiniões iguais e o mesmo senso de humor. São bem sarcásticos quando se juntam, alegram meu coração!

Aaron e eu estamos juntos há pouco mais de um ano. Ainda vivemos no mesmo prédio, mas em apartamentos diferentes. Estamos felizes em poder acompanhar nossa filha e os irmãos dela, pessoinhas incríveis! Pelo pouco que sei, a Melanie não se casou novamente, nem teve outros filhos. Seguimos totalmente sem contato, uma tristeza. Mas não desisti. Nenhuma das minha filhas merece o que essa mãe está fazendo com elas. Até a minha morte, farei tudo que estiver ao meu alcance para reverter esse dano e unir minhas meninas.”

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